quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ex-prefeito de Bogotá diz que único jeito para trânsito é restringir carros


FLÁVIA MARREIRO
DE SÃO PAULO

Ex-prefeito de Bogotá, o economista Enrique Peñalosa, 59, entusiasma-se com o fato de os protestos de junho terem colocado a mobilidade urbana em pauta no Brasil porque a questão simboliza "liberdade" e "equidade".

Responsável por implementar o amplo sistema de corredores de ônibus da capital colombiana há mais de uma década, faz defesa enfática da expansão das faixas de ônibus em São Paulo pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Folha sabatina ex-prefeito de Bogotá nesta quinta-feira
 
"Quando um ônibus passa ao lado de carros engarrafados, temos um símbolo de democracia. O interesse coletivo está acima do particular", afirma Peñalosa.


Leticia Moreira 0 20.jun.2012/Folhapress 
Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, em visita à Folha no ano passado; ele defende pistas exclusivas para os coletivos
Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, em visita à Folha no ano passado; ele defende pistas exclusivas para os coletivos

Leia trechos da entrevista concedida à Folha:
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O prefeito de SP acelerou a implementação de faixas exclusivas para ônibus, mas há críticas à falta de ajuste das linhas e às interferências de carros. O que acha?
Enrique Peñalosa - Não posso entrar nos detalhes técnicos de São Paulo, pode haver erros na implementação técnica, mas admiro o prefeito por dar importância aos corredores de ônibus. O mais importante em uma discussão é a estratégia. Pode haver erros na tática, mas não na estratégia. A dificuldade para solucionar o problema do transporte não é técnica nem econômica.
Podem fazer mais duas ou três linhas de metrô, e não vai consertar o trânsito, pode-se fazer mais vias, e não vai consertar. Os ônibus com faixa exclusiva e os metrôs podem consertar o problema da mobilidade, mas não dão jeito no trânsito. A única maneira de dar um jeito no trânsito é com restrições ao uso dos carros. E a restrição mais óbvia de todos é a de estacionamento. Em São Paulo ainda há muitas ruas em que os carros podem estacionar.
Com metrô ou sem metrô, nunca será possível resolver o tema da mobilidade sem um bom sistema de ônibus.
 
A prefeitura deve revisar ou não a decisão de permitir que táxis com passageiros utilizem os corredores e faixas?
Não se deve permitir os táxis. Pode ser que em algumas situações isso não seja um problema, e teriam de ser estudados os detalhes técnicos, mas, a princípio, nada que provoque a mais mínima demora aos ônibus deve ser permitido. Um táxi leva uma pessoa, e um ônibus pode levar até cem passageiros: o segundo tem direito a cem vezes mais espaço.
Além do mais, em sociedades tão desiguais como as nossas, se damos privilégios aos táxis terminaremos com um sistema onde os ricos têm um táxi com contrato permanente, ou quase permanente.
 
O sr. é defensor da expansão do uso da bicicleta. Por que é mais que uma causa de classe média ou de fim de semana?
O transporte é diferente de todos os demais desafios que temos na nossa sociedade. Diferentemente da saúde ou da educação, tende a piorar à medida que nos tornamos mais ricos. Se amanhã São Paulo exibir o dobro da renda per capita atual, haverá melhora nesses itens, mas o transporte vai ser pior, a não ser que mudemos de modelo.
Quando falamos de bicicletas, não estamos falando que vão substituir os ônibus, os trens nem nada disso. Mas as bicicletas podem chegar a ter uma porcentagem importante das viagens.
Hoje em São Paulo menos de 1% da viagens são feitas em bicicleta. Se chegarem a ser 10%, seria uma revolução. As ciclovias protegidas não são um detalhe arquitetônico simpático, mas um direito.
De novo, estamos falando de democracia. Quando um ônibus passa ao lado de carros engarrafados, temos um símbolo de democracia. O interesse coletivo está acima do particular.
[Bicicleta] não é uma pauta [de classe média]. Em Bogotá, os que mais usam são os mais pobres, que economizam: uma pessoa que ganha salário mínimo e consegue usar bicicleta economiza entre 15% e 20% de sua renda.
 
O aumento da passagem em SP foi o estopim das manifestações de massa de junho, e uma proposta central foi a gratuidade do transporte. O sr. acha viável?
É interessante que os protestos surjam ao redor da mobilidade porque a mobilidade é uma nova expressão de liberdade. Tem a ver com equidade. Mais importante do que a luta pela gratuidade agora é lutar por uma distribuição mais democrática do espaço viário, que dê mais e melhor espaço aos pedestres, mais corredores de ônibus, ciclovias protegidas. É a luta mais importante agora.
É importante subsidiar o transporte público, na melhor das hipóteses com recursos cobrados do uso do carro, porque quem mora mais longe do trabalho em geral é mais pobre. Mas transformar o transporte em totalmente grátis é muito difícil. Não conheço nenhuma parte do mundo em que isso tenha sido feito em larga escala.
 

FORMAÇÃO:
Formado em economia e história pela Duke University (EUA) e com doutorado em administração pública pela Universidade Paris 2
CARREIRA POLÍTICA
Prefeito de Bogotá de 1998 a 2001; é pré-candidato do Aliança Verde à presidência
OCUPAÇÃO ATUAL
Consultor nas áreas de trânsito e de urbanismo

Acesse o link da folha para comentários.

Fonte: http://folha.com/no1350488
02/10/2013 - 03h30
FLÁVIA MARREIRO
DE SÃO PAULO

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Exposição: Todas as Cores de Mariscal


Entrevista com Javier Mariscal

Cadeiras da marca Vondom, para área externa. Foto: DIVULGAÇÃO


Natália Mazzoni – O Estado de S.Paulo

O trabalho colorido e bem-humorado de Javier Mariscal está em exposição na mostra Todas as Cores de Mariscal. A parceria do Instituto Tomie Ohtake com a Tok&Stok trouxe para o Brasil cerca de 60 obras do designer catalão, entre mobiliário, objetos, luminárias, pinturas, brinquedos e projetos gráficos.
A Tok&Stok também lançou quatro linhas de acessórios para casa assinadas por ele, sempre com peças muito coloridas. O Casa conversou com o designer sobre seu trabalho.

O que foi pensado especialmente para os brasileiros nessas coleções?

Acredito que o público brasileiro é um dos que mais importância dão ao bem-viver e a desfrutar a vida. Eu penso da mesma forma, por isso desenhei objetos que ajudam as pessoas a ter uma vida mais divertida. Cercar-se de coisas belas ajuda a viver melhor.


Como você usa o humor no seu trabalho?

O humor e o jogo são formas de ver a vida como quando éramos crianças. É muito importante brincar e introduzir o humor no design. A linguagem dos objetos tem de ser mais emocional para comunicar melhor.


O que o público pode esperar ao visitar a exposição Todas as Cores de Mariscal?

Fazer essa exposição foi uma oportunidade muito boa para que o Brasil conhecesse o trabalho que desenvolvemos no Estúdio Mariscal. Temos muita sorte em poder expor em um dos museus mais belos que conheço. Meu objetivo é fazer as pessoas captarem um trabalho que brinca com espaços e cores em diferentes linguagens de design.


O que você leva de inspiração do Brasil para seu estúdio?

No Brasil recebo muita informação passeando pelas ruas e conhecendo pessoas. Cada vez que venho sinto uma enxurrada de coisas interessantes. Tudo é muito vital e eu gosto disso.

Exposição:
Todas as Cores de Mariscal
Instituto Tomie Ohtake: Av. Faria Lima, 201, Pinheiros. Tel.: (11) 2245-1900.
De terça a domingo, das 11 às 20 horas. Até 29 de setembro. Entrada franca




Fonte: http://blogs.estadao.com.br/casa/cor-para-viver-melhor/
Mais informações sobre o artista: http://pt.wikipedia.org/wiki/Javier_Mariscal
http://www.mariscal.com/es/home




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Arquitetura Brutalista

A Arquitetura Brutalista foi um movimento arquitetônico basicamente ocorrido nas décadas de 50 e 60 onde a estrutura da construção ficava evidenciada, sendo ela a principal ornamentação do projeto.
No Brasil temos vários exemplos sendo que em São Paulo a corrente possui construções ainda em evidência (reformadas ou não) como o Estádio do Morumbi e o MASP.


Prefeitura de Boston, 1968 – Kallmann McKinnell & Knowles




Quer saber mais ?

Referências:

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Enquanto Isso...: Papel de Parede para um Banheiro mais Bonito!

Enquanto Isso...: Papel de Parede para um Banheiro mais Bonito!: Aqui no Brasil não é muito comum usar o papel de parede no banheiro ... Para este ambiente gostamos mais de pastilhas e azulejos decorati...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Prédio da Galeria do Rock comemora 50 anos em 2013

Murilo Bomfim e Taís Toti - O Estado de S. Paulo
 
 
Assim como o rock’n’roll, algumas coisas não envelhecem nunca. É o caso da Galeria do Rock, cuja história se confunde com a da cidade - pelo menos nas últimas cinco décadas.

Galeria do Rock - Isadora Pamplona/ Estadão
Isadora Pamplona/ Estadão
 
 
Galeria do Rock
Projetado na década de 50 pelo arquiteto Alfredo Mathias, o prédio que abriga o ‘Shopping Center Grandes Galerias’ só foi inaugurado em 1963. "Havia uma necessidade de ocupação da área central", diz o atual responsável pelo local, Antonio Souza Neto, mais conhecido como ‘Toninho da Galeria’. O conceito de rock ainda não havia contaminado as lojas, que concentravam mais de cem alfaiates.
Em 1976, depois de perder lojas para as regiões sul e oeste da cidade e passar quase meia década vazia, a galeria ganhou sua primeira loja punk, a Wop Bop, do vocalista da banda Olho Seco, Fábio. A administração da época via problemas nas tribos que ouviam sons mais pesados e proibiu a abertura de novas lojas com o tema. Foi só em 93, com a chegada de Toninho, que o rock se tornou soberano na galeria. Enquanto outubro - e a grande comemoração que ele prepara - não vem, celebre os 50 anos em um rolê de compras à moda antiga - ali e nas galerias vizinhas.


Para comandar as pistas
Além de roupas, acessórios e discos para os amantes da música, a Galeria do Rock tem um espaço para quem quer colocar a mão na massa. A Discool’ Box DJ tem um curso que, em 20 horas, ensina qualquer um a dominar as pick ups. O tempo de aula pode ser dividido da maneira que for mais conveniente para o aluno, mas é recomendável fazer aulas de, no máximo, duas horas por dia, duas vezes por semana. O preço do sucesso é R$ 800, que podem ser divididos em duas parcelas. Sobre a música: não precisa ser rock não, vale qualquer estilo. Subsolo, loja 23, 3337-5507.


Cabelo, cabeleira, cabeluda...
Ao andar pela Galeria é comum encontrar pessoas de diversas tribos. E incomuns são, às vezes, os cabelos de quem passa por lá. Se, durante o passeio, der vontade de dar um trato no visual, o Zulu pode se encarregar da tarefa. Sob o slogan ‘A arte em cabelos exóticos’, o pequeno salão faz cortes e penteados que vão desde os tímidos até os mais ousados. Há dois cortes bem populares no local. Um deles se chama ‘From UK’, que deixa as madeixas desfiadas e irregulares, às vezes com uma franja grande recobrindo o olho. O outro é o ‘Rockabilly’, que imita a cabeleira de Elvis Presley: batidinho dos lados e com várias possibilidades no topo. Vale até topete. 1º andar, loja 211, 3223-8775.


Sem rótulos
No terceiro andar da galeria, uma loja chama atenção: o pé direito é baixo, o local é escuro e a cor roxa predomina. A Fake No More vende roupas que vêm de vários lugar do Brasil, sempre em um estilo... bem, Christian Hosoi (foto), dono da loja, não gosta de dar nome aos bois: "Há quem diga que é gótico, há quem diga que é dark, há quem diga que é medieval. Eu não rotulo." Algumas peças são feitas pelo próprio Hosoi e podem chegar a custar R$ 600. Quem gostar do ambiente pode aproveitar a mesa de chás e café, cortesia do proprietário. 3º andar, loja 474, 997-854-834.


Um canto de paz
Basta ver a placa "sebo mais antigo da cidade" para querer entrar na Livraria Calil, no 9º andar da Galeria Itá. Especializada em livros esgotados e raros de temática brasileira, a loja tem um ambiente agradável, em especial pelo sossego em meio ao movimentado centro. Maristela Calil deu continuidade aos negócios do pai, que começou há 68 anos. Para ela, o que faz a livraria ser uma referência não é só a qualidade do acervo, mas o atendimento pessoal aos clientes. Mesmo com as prateleiras recheadas de obras raras, Maristela ainda está em busca de um livro: ‘Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema’, primeiro livro de Mário de Andrade. R. Barão de Itapetininga, 88, metrô Anhangabaú, 3255-0075.


Em busca de velharia
O pedaço é o melhor amigo dos amantes de vinil, turma que só aumenta na cidade. Para garantir que a coleção tenha exemplares essenciais, vale dar uma passada na Galeria Boulevard do Centro. Passe pelas lanchonetes e pela curiosa e pequena fonte em uma das paredes do térreo e suba para o primeiro andar, onde há várias lojas de vinis usados e em bom estado. A maior delas é a Ventania, aberta desde 1986. Há discos de todos os estilos e épocas, garante o vendedor Alcides Neto. E a organização ajuda (muito) a encontrar o que procura. R. 24 de maio, 188, metrô República, 3331-0332.


Preciosidades
O prédio que abriga a Galeria Itapetininga foi construído em 1945 e, hoje, é o ponto de encontro dos fanáticos por brinquedos antigos. Os corredores concentram mais de dez vitrines onde vendedores, como Fábio Assumpção Costa (foto), expõem as antiguidades que certamente habitaram a sua infância. Entre os mais procurados e valorizados estão o Forte Apache da Gulliver e os autoramas de marcas como a Estrela. Brinquedos não são as únicas raridades do centro comercial, porém. Encontram-se por lá ainda duas lojas de pedras (preciosas ou não). São vendidas desde as mais comuns, com preço a partir de R$ 1, até as mais raras, que são bem maiores e podem chegar a R$ 8 mil. R. Barão de Itapetininga, 267, metrô República, 3259-6515.
 

Para não perder
A Galeria Nova Barão está se tornando queridinha dos roqueiros e audiófilos em geral pela variedade de lojas de vinis (na maioria novos e importados) no primeiro andar. Mas o térreo também tem coisas interessantes, e não é só a agradável fonte com banquinhos esperando por um descanso no meio da tarde. Lá tem a Oliveira, loja com mais de 40 anos de tradição especializada em guarda-chuvas. Se você pensa que o acessório é item descartável, pode repensar. Lá os modelos são feitos para serem duráveis (o que justifica o preço, de R$ 18 a R$ 450), e a loja também oferece serviços de conserto (entre R$ 8 e R$ 15). Dá para escolher entre sombrinhas de bolso e guarda-chuvas automáticos, entre outros. R. Nova Barão, 69, metrô República, 3159-2318.